Antes de comparar marca, meça o tamanho do seu serviço. Se a parafusadeira vai sair da gaveta uma vez por mês, para montar uma estante, trocar uma dobradiça ou apertar a cadeira que bambeou, você não precisa de muita máquina. Precisa de controle de aperto e de uma bateria que esteja carregada quando o dia chegar.
O que esse serviço pede
- Ajuste de aperto. É o anel atrás do mandril (a “boca” que segura a broca ou a ponta). Ele faz a ferramenta parar de girar quando chega no ponto escolhido. Em MDF, o material da maioria dos móveis de loja, isso evita o furo espanado.
- Força conhecida. O número da força (o torque, em Nm) é o que deixa comparar uma máquina com outra. Das cinco que comparamos, as duas Vonder não publicam.
- Impacto, não. Impacto serve para furar tijolo. Para quem só monta e aperta, é recurso que fica parado.
- Preço baixo. Ferramenta que trabalha pouco não precisa de bateria grande nem de carga rápida.
A nossa escolha
Para esse tamanho de serviço, ficamos com a WAP BPF 12K3. A WAP publica a força (17 Nm), o anel tem 18 posições de aperto e uma de furar, e ela é das mais baratas das cinco. Não tem impacto nem segunda marcha, e aqui isso não faz falta.
A segunda opção é a Vonder PFV 012. Custa um pouco mais e vem com o que falta na caixa de quem está começando: brocas, pontas, soquete magnético e uma trena de 5 m. O ponto fraco é que a Vonder não diz qual é a força máxima. Para móvel, isso pouco importa; para comparar, importa.
A ferramenta que mora na gaveta
Quem usa pouco tem um problema que quem usa muito não tem: a ferramenta passa semanas parada. E é aí, e não no dia do serviço, que se perde uma bateria.
Bateria de lítio perde carga aos poucos, mesmo guardada, e não gosta de ficar vazia por muito tempo. O hábito que resolve é simples: guardar a ferramenta com a bateria carregada e dar uma recarga de tempos em tempos, mesmo sem uso.
O outro cuidado é o relógio. Na BPF, a recarga leva de 3 a 5 horas. Se o móvel chega no sábado de manhã, a bateria vai para a tomada na sexta à noite. A Vonder não informa o tempo de carga da PFV 012, então vale o mesmo conselho: carregue na véspera.
E uma vantagem da Vonder para quem guarda pouco e mal: tudo cabe na mesma maleta, inclusive a fonte de carregar, que é bivolt automática (aceita 127 V e 220 V sem você mexer em nada). Nada se perde entre um mês e outro.
O primeiro móvel, passo a passo
Móvel de caixa é o serviço mais comum de quem compra parafusadeira para usar pouco. Três coisas fazem a diferença:
- Comece no número mais baixo do anel. Aperte um parafuso e veja se ele assentou. Se não assentou, suba um número e repita. No MDF, o anel alto demais afunda a cabeça do parafuso e espana o furo.
- Termine os últimos parafusos com calma. Dobradiça e corrediça de gaveta pedem aperto leve, e o anel baixo ajuda a não passar do ponto.
- Guarde as pontas junto com a ferramenta. A Vonder já vem com elas. Na BPF, confira se o anúncio traz pontas; se não trouxer, um jogo simples resolve.
Segurança antes do primeiro parafuso
Serviço pequeno também machuca. Três cuidados que valem para qualquer uma das cinco:
- use óculos quando for furar, mesmo madeira. Cavaco voa na direção do rosto;
- comece no número mais baixo do anel e vá subindo. Parafuso que espana vira ponta afiada;
- troque broca ou ponta com o gatilho travado ou a bateria fora. Um toque sem querer, e a ponta gira na sua mão.
Quem deve pular esta página
- Quem vai pendurar prateleira em parede de tijolo. Sem impacto, cada furo de bucha vira uma briga. Aí a conversa muda para a WAP WF 12K4.2, que tem impacto e custa parecido.
- Quem está no meio de uma reforma. Uma bateria de 1,3 ou 1,5 Ah e recarga de horas não acompanham um dia inteiro de serviço. Esse caso tem página própria.
- Quem já tem uma furadeira de impacto com fio. Para o furo de parede, ela resolve. A parafusadeira barata entra só para o móvel, e qualquer uma das duas acima serve.
A escolha é sua. A gente acha que quem faz um serviço por mês gasta melhor no controle de aperto do que em impacto.